A palavra vigilância tem sua origem no latim vigilare, e significa, de acordo com o Dicionário
Aurélio: "observar atentamente,
estar atento a, atentar em, estar de sentinela, precaver-se, acautelar-se".
No âmbito espiritual podemos dizer que vigilância é estar alerta quanto a
qualquer perigo que ponha em risco nossa perfeita comunhão com Deus. É um
exercício de natureza preventiva, que deve aliar a humildade com a prudência: "Aquele, pois, que pensa estar em pé
veja que não caia." (l Co 10.12 - RA), e que não deve ser confundida
com medo ou ansiedade. É uma dose equilibrada de cuidado, já que não devemos
superestimar e nem subestimar o poder e as artimanhas do inimigo.
Ser um cristão vigilante é ter consciência da realidade
espiritual. Por um lado a nossa comunhão com Cristo, onde obtemos força e ânimo
para enfrentarmos os desafios da vida, e por outro, os perigos contidos no
reino de Satanás, contra o qual devemos resistir firmemente. É uma batalha
travada no reino espiritual, "porque
a nossa luta não é contra o sangue e a carne, e sim contra os principados e
potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças
espirituais do mal, nas regiões celestes." (Ef 6:12 - RA). Estar em vigilância
requer que os nossos olhos estejam abertos a esta realidade e que tal
conhecimento determine nossas ações e decisões.
Para avançarmos na disciplina da vigilância pessoal, é
necessário conhecermos três importantes perspectivas. Ao crescer nessa
compreensão, estaremos nos habilitando para ajustar nossa conduta. Em alguns
casos será de prudência defensiva, na precaução e cautela quanto às ciladas do
diabo, e em outros será de ousadia belicosa, para denunciar e repreender o
inimigo.
A primeira é uma perspectiva dirigida para o alto: "Pensai nas coisas lá do alto, não nas
que são aqui da terra;" (Col 3:2 - RA). O amor ao mundo e o que nele
há não deve habitar nossos corações, pois quem vive pensando apenas no que é
material, nunca será uma pessoa espiritual. Isso nos rouba a oportunidade de estarmos
preparados para lutas e tentações que certamente virão, pois quando o amor ao
mundo impera em nossa mente, ele nos mantém presos a carne e suas paixões. Se permitirmos
que nossa mente seja tomada pelas coisas deste mundo, impediremos nosso
crescimento na graça e no conhecimento de Cristo. Por isso precisamos nos
habituar a meditar naquilo que é concernente a Deus, pois assim fazendo teremos
sabedoria e força para resistir no dia mal.
A segunda perspectiva é relativa ao nosso interior, e diz
respeito a um autoexame contínuo debaixo da direção do Espírito Santo, para
enxergarmos se existe algum fermento
de pecado nas nossas vidas (I Co 5:8 - RA). Devemos atentar constantemente
contra maus sentimentos e pensamentos que podem entrar nos nossos corações. Para
isso é fundamental que consideremos com cuidado tudo quanto vemos, ouvimos e
falamos, além de nossa conduta e o caráter de nossas ações. “Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o
espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca.” (Mt 26:41 -
RA).
A terceira perspectiva é dirigida ao exterior. Devemos estar
alertas para identificarmos as estratégias do inimigo, evitando assim sermos
apanhados em ciladas malignas através do engano e da mentira. Somente através
da sabedoria e do discernimento do Espírito Santo seremos capazes de enxergar
as armadilhas preparadas para roubar nossa comunhão com o Pai e nos tirar do
centro de Sua vontade. Busquemos com coração sincero e quebrantado essa
capacitação espiritual. "Se, porém,
algum de vós necessita de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente
e nada lhes impropera; e ser-lhe-á concedida." (Tg 1:5 - RA).
Como ministrou o apóstolo Paulo aos cristãos em Tessalônica: “Assim, pois, não durmamos como os demais; pelo
contrário, vigiemos e sejamos sóbrios.” (I Ts 5:6 - RA). A palavra que
foi traduzida “dormir” neste texto,
refere-se a letargia e insensibilidade. Que estejamos despertos e sensíveis a
voz do Espírito, usando das armas a nossa disposição: a verdade, a justiça, a
salvação, o evangelho da paz, a oração, o jejum e a Palavra de Deus, a espada
de dois gumes usada por Cristo para derrotar Satanás (Mt 4). Sigamos então o Seu
exemplo! Não deixemos de jejuar, vigiar e orar para nos mantermos firmes diante
das dificuldades e tentações.

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