I João 2:16 - “Porque
tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e
a soberba da vida, não é do Pai, mas do mundo.”
O texto nos fala sobre três áreas de tentação que
afetam o homem na sua constituição triuna: corpo, alma e espírito. Quando o
mundo se mostra numa destas formas de tentação, a tendência é sermos automaticamente
seduzidos por elas. Se não contrariarmos nosso coração, ele sempre tenderá a
satisfazer esses desejos mundanos. Podemos definir concupiscência como os
desejos de nossa carne ou nossa alma. Segundo o dicionário Michaelis: "Grande
desejo de bens ou gozos materiais. Apetite sexual".
A concupiscência da carne engloba o imediatismo, a
satisfação pessoal e momentânea. Toda e qualquer carnalidade, entre elas, o
comer e o beber sem controle, e o sexo casual. Muitos abrem mão das promessas
de Deus por prazeres momentâneos. Um grande exemplo desse tipo de mal encontramos
na história de Esaú. Ele vendeu a primogenitura a seu
irmão Jacó em troca de uma simples refeição. Ao fazer isso abriu mão
de todos os direitos que teria como primogênito (Gênesis 25:30-34).
A Bíblia nos revela que posteriormente Esaú veio a
se arrepender, mas já era tarde. Nossas decisões equivocadas, tomadas baseadas
no impulso e no desejo da carne podem ser caminhos para os quais não há retorno
(Hebreus 12:16-17). No caso de Esaú foi uma refeição, há outros fazendo o mesmo
por sexo, drogas ou muito menos.
Jesus passou por esse tipo de tentação em Mateus 4:1-4.
A tentação de transformar as pedras em pães colocaria mais ênfase na carne do
que na submissão à Palavra, pois Cristo veio para fazer a vontade do Pai e não
a do inimigo. Jesus manteve-se em obediência ao Pai e não cedeu a tentação de
alimentar a carne. Para ter vitória ele recorreu à Palavra de Deus, assim como
nós devemos recorrer.
Já a concupiscência dos olhos envolve a cobiça, as
conquistas materiais, a ambição de ter. Por esse desejo muitos abandonam a Deus
e seus caminhos para tornarem-se workaholics
(viciados no trabalho), sem tempo para a família, para desfrutar o dom da
vida e principalmente impedidos de dedicar tempo e disposição para o serviço
cristão. Esse desejo procura as coisas do mundo mesmo sabendo que estas não têm
como satisfazer o seu coração. Jesus também passou por esse tipo de tentação em
Mateus 4:5-7. A tentação de atirar-se do pináculo do templo serviria apenas para
um “show” que seria assistido pela multidão de adoradores no templo. O diabo
tentou Jesus a usar as promessas de Deus para a Sua própria vantagem, ao
contrário de viver pela fé, dando a glória ao Pai. A usar de maneira distorcida
a Palavra, ou seja, viver para sua própria glória e depois esperar que Deus fosse
obrigado a livrá-lo das consequências de sua desobediência. A vitória de Jesus
a este tipo de tentação foi recorrer à Palavra de Deus novamente. Não podemos
fazer melhor.
A soberba da vida abrange a ambição não do ter, mas
do ser. É a busca pelo reconhecimento. Soberba, arrogância, prepotência,
orgulho são alguns de seus frutos. Tem como características o desprezo aos
outros, a insistência de prevalecer a própria vontade e a confiança excessiva
nos seus próprios pensamentos. É o prazer de viver com ostentação de modo a ser
bem visto pelos outros. A soberba confia nos bens do mundo como se estes bens
pudessem dar prazer eternamente. Jesus passou por esse tipo de tentação em Mateus
4:8-11. Satanás ofereceu a Jesus uma maneira fácil de ter o domínio do mundo
antes da hora prevista, ou seja, ter a glória antes da cruz. Esta tentação nos
leva a sempre pensar que ela em si mesma pode fazer melhor do que a vontade de
Deus. Jesus recorreu mais uma vez à Palavra citando o princípio eterno: a
vontade de Deus, mesmo que traga consigo consequências que não desejamos, é o
nosso primeiro e único objetivo.
Nenhuma destas tentações tem origem em Deus, mas no
mundo, e se esperamos ter a vitória sobre a tentação, devemos guardar a Sua
Palavra no coração para evitarmos o pecado (Sl. 119.11). Aquele que recorre a
Deus pela Sua Palavra é santificado por ela e recebe a proteção daqueles que
nEle confiam.
“Toda a Palavra de
Deus é pura; escudo é para os que confiam nele.” - Pv 30:5

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