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domingo, 1 de fevereiro de 2015

AS ORIGENS DAS TENTAÇÕES

“A verdadeira conversão dá segurança à pessoa, mas não lhe confere o direito de parar de vigiar" - C.H. Spurgeon 
Estamos iniciando hoje o segundo mês da estação VERÃO, cuja ênfase será VIGILÂNCIA NAS TENTAÇÕES, inspirados na advertência do Senhor Jesus aos discípulos no Getsêmani: “Vigiem e orem para que não caiam em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é fraca.” (Mt. 26:41 - NVI).

É interessante observarmos que a palavra "tentação" tem na língua portuguesa, a mesma origem da palavra "tentativa", ou seja, vem do verbo "tentar", que envolve a ideia de mostrar uma intenção, de pretender algo. Desta maneira, a tentação é apenas uma disposição de ânimo, e não a concretização de uma vontade em atitudes. Por isso, ser tentado não é pecado, como mostra claramente o texto de Hb. 4:15: "pois não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas, mas sim alguém que, como nós, passou por todo tipo de tentação, porém, sem pecado".

A tentação é então uma proposta para a prática do pecado, para uma atitude de desobediência aos preceitos estabelecidos pela Palavra. Por isso Deus não pode tentar pessoa nenhuma, nem pode ser tentado por quem quer que seja, pois ninguém pode fazer Deus pecar, e nem Ele, diante de Sua santidade e caráter, pode fazer alguém pecar (Tg. 1:13).

Concluímos que a tentação não tem origem em Deus, mas que se encontra no próprio ser humano, no diabo e suas forças espirituais ou, ainda, na combinação de ambos. Já que é algo que não vem do Senhor, é plenamente possível vencermos as tentações, de modo que não sejam bem-sucedidas em seu intento de nos afastar da presença de Deus. Temos então uma esperança viva de que podemos vencê-las!

A primeira fonte da tentação é a própria natureza humana, ou seja, nós mesmos. O texto de Tg. 1:14 nos revela que "cada um é tentado quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência". Como ser moral que é, o homem tem consciência em si mesmo de que existe o certo e o errado. Dotado de liberdade, o chamado livre arbítrio, tem o poder de decidir entre obedecer a Deus ou não. Assim sendo, é possível que o homem escolha seguir um caminho diferente daquele determinado pelo Senhor. É aí que entra em cena a figura do "eu", que sente que pode se tornar o centro de sua vida. Nesse momento o homem é tentado a pecar e se desviar da vontade de Deus, atraído pela possibilidade de satisfazer seu próprio querer. Concebido o pecado vem com ele a morte, que nada mais é que a separação entre ele e o Criador.

Mas não é apenas a "carne" que pode gerar tentações no ser humano. O diabo também é fonte de tentação na vida do cristão, e por esse motivo é chamado nas Escrituras de "tentador". Na primeira tentação, o diabo apresentou-se à mulher com a intenção de desviá-la do propósito de servir a Deus. Para isso usou de tentativas, iniciando um diálogo com a mulher, através do qual fez nascer nela o desejo de ser igual a Deus (Gn. 3:1-5). Este mesmo desejo de independência em relação a Deus havia sido o motivo da queda do próprio satanás, de maneira que seu trabalho foi despertar no homem o mesmo sentimento que causou a sua perdição (Is. 14:15). Para demonstrar Sua plena humanidade enquanto esteve entre nós, o próprio Jesus foi tentado pelo diabo, e não apenas as três vezes relatadas pelos Evangelhos, como podemos inferir dos textos de Lc. 4:13 e Hb. 4:15.

A terceira fonte de tentação é o "mundo", ou seja, o sistema organizado pelo diabo e que está estabelecido sobre todos os homens que não foram salvos por Jesus. O mundo tem seus atrativos e, se não vigiarmos, acabaremos por amar o que há nele. Será inevitável pecarmos, pois quem ama o mundo, não tem o amor de Deus em si mesmo (I Jo. 2:15). Por "mundo" não nos referimos às coisas criadas por Deus, mas, sim, ao sistema maligno, gerado após a queda do homem, pelo qual os seres humanos passam a viver debaixo do mal (I Jo 5:19) e sob o império da morte (Rm. 6:23; Ef. 2:1). No mundo, portanto, temos a conjugação tanto do "ego" humano, isto é, da "carne", como também do diabo, que é "o deus deste século" (II Co. 4:4).


Citando Martinho Lutero, "não podemos impedir que um pássaro voe sobre as nossas cabeças, mas podemos impedir que ele faça um ninho em nossas cabeças". De igual modo, não podemos evitar as tentações, já que estamos inseridos no mundo e em constante batalha contra o inimigo de nossas almas. Mas estando sempre em comunhão com o Senhor, buscando Sua presença na meditação da Palavra e na oração, certamente seremos guardados por Ele e teremos vitória.

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