I João 2:16 - “Porque
tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e
a soberba da vida, não é do Pai, mas do mundo.”
Alguém disse que estas coisas atingem o homem como
ele é: corpo, alma e espírito. Ninguém nunca será levado a outro tipo de
tentação além dessas. Quando o mundo nos apresenta em uma destas formas, somos
ardente e automaticamente cativados por elas. Como porcos correm para o lamaçal
e os cachorros voltem ao vômito, o nosso coração, quando não contrariado,
obstina-se para que esses desejos mundanos sejam satisfeitos.
A concupiscência da carne – o desejo ardente
da carne de viver para a sua própria glória. A carne zela para não ter limites
impostos nela, não sofrer as aflições, nem preocupar-se com as necessidades dos
outros. O desejo ardente da carne é ser vigoroso naquilo que interessa a si
mesmo e aumentar muito em suas riquezas (Sl. 73.4-5, 12, John Calvin). A
tentação pela concupiscência da carne inclui tudo que resulta em vergonha como
fornicação, adultério, sodomia e incesto. Desde que o corpo é envolvido em
homicídio, invejas, sensualidade e nos excessos que manifestam-se em glutonaria
e bebedice, sabemos que essas vergonhas são frutos da concupiscência da carne
(Gl. 5.23; I Pe. 4.3, “Porque é bastante que no tempo passado da vida
fizéssemos a vontade dos gentios, andando em dissoluções, concupiscências,
borrachices, glutonarias, bebedices e abomináveis idolatrias;” John Gill).
Jesus passou por esse tipo de tentação: Mt. 4.1-4. A tentação de transformar
pedra em pão colocaria mais ênfase na carne do que na submissão à Palavra de
Deus pois Jesus veio fazer a vontade do Pai e não a do Satanás. Jesus
manteve-se fiel ao Pai e tudo espiritual. Ele não cedeu para gratificar a
carne. Jesus recorreu à Palavra de Deus para ter a vitória. Para você ter a
vitória sobre as tentações que inflamam a concupiscência da carne, é necessário
recorrer a Deus. Seja como Jesus o Salvador!
A concupiscência dos olhos – o olhar que
despreza os outros considerando-os inferiores, e a satisfação pela vaidade da
aparência pomposa e extravagante. Essa concupiscência sempre procura ter mais
do que o coração pode desejar (Sl. 73.7-9 John Calvin). A cobiça se faz
presente nessa concupiscência (Mt. 5.28) junto com a ímpia curiosidade para
conhecer as vaidades que nunca podem satisfazer (Pv. 27.20, “Como o inferno e a
perdição nunca se fartam, assim os olhos do homem nunca se satisfazem.”). A
concupiscência dos olhos procura as coisas do mundo mesmo sabendo que não têm
como satisfazer o seu coração (John Trapp). Jesus passou por esse tipo de
tentação: Mt. 4.5-7. A tentação de lançar-se do pináculo do templo abaixo
serviria para fazer um “show espiritual” que seria assistido pela multidão de
adoradores no templo. Jesus seria visto apanhado pelos anjos para que Ele não
sofresse dano. Essa tentação provocou Jesus a usar as promessas de Deus para a
Sua própria vantagem em vez de viver pela fé, dando essa glória ao Pai. Fazer
uso impróprio das Escrituras, ou seja, viver para sua própria glória e depois
esperar que Deus seja obrigado a te livrar das consequências da sua
desobediência pública seria colocar a Escritura contraria a Si mesma. A vitória
de Jesus a este tipo de tentação foi por Ele recorrer à Palavra de Deus
novamente. Não podemos fazer melhor.
A soberba da vida – orgulho que se expressa em
ambição, no desprezo dos outros, na insistência de prevalecer a própria vontade
e na confiança excessiva nos seus próprios pensamentos. Essa característica
manifesta-se pelo gosto de bajulice, amor dos primeiros lugares nas ceias e as
primeiras cadeiras onde congregam as multidões (Mt. 23.6). Esse mal procura ter
um exagerado padrão de vida pomposa (Ec. 2.1-11). Esse prazer de viver tão
esplendidamente é desejado para ser bem visto pelos outros como também para si
mesmo. A soberba confia nos bens do mundo como se estes bens pudessem dar
prazer eternamente (Lc. 12.18-21, “E disse: Farei isto: Derrubarei os meus
celeiros, e edificarei outros maiores, e ali recolherei todas as minhas novidades
e os meus bens; E direi a minha alma: Alma, tens em depósito muitos bens para
muitos anos; descansa, come, bebe e folga. Mas Deus lhe disse: Louco! esta
noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será? Assim é
aquele que para si ajunta tesouros, e não é rico para com Deus.”; Pv 27.24,
“Porque o tesouro não dura para sempre; e durará a coroa de geração em
geração?”) Jesus passou por esse tipo de tentação: Mt. 4.8-11. Satanás ofereceu
a Jesus uma maneira fácil de ter o domínio do mundo antes da hora prevista, ou
seja, ter a glória antes da cruz. A soberba da vida sempre calcula que pode em
si mesma fazer melhor do que a vontade de Deus. Jesus recorreu mais uma vez à
Palavra de Deus citando o princípio eterno: a vontade de Deus, mesmo que traz
sofrimentos, é o nosso primeiro e único dever. Fazendo a vontade de Deus é
adorar ao Senhor nosso Deus. Deseja ter a vitória sobre a tentação que inflama
a soberba da vida? Seja como o Salvador e recorre a Deus pela aplicação devida
da Sua Palavra na hora da tentação.
Desde que nenhumas destas tentações são de Deus mas
do mundo (I Jo. 2.17); desde que o pecado habita em nós (Rm. 7.17), e desde que
Satanás somente engana e mente (Jo. 8.44), se esperamos ter a vitória sobre a
tentação, só resta Deus. A Ele devemos chegar para ter a vítória que redunda
para a Sua glória (Tg. 4.8; Rm. 7.24-25). Não temos outra opção.
Antes de procurar ajuda dum parente respeitado ou
dum líder eclesiástico, consulte a Deus. Observando a Sua Palavra o mancebo
purifica o seu caminho (Sl. 119.9, “Com que purificará o jovem o seu caminho?
Observando-o conforme a tua palavra.”). Somente guardando a Sua Palavra no
coração podemos evitar o pecado (Sl. 119.11, “Escondi a tua palavra no meu
coração, para eu não pecar contra ti.”). A Palavra de Deus ilumina o caminho
que devemos andar (Sl. 119.105, “Lâmpada para os meus pés é tua palavra, e luz
para o meu caminho.”). Aquele que recorra a Deus pela Sua Palavra consulta o
que é puro e protege todos que confiam nEle (Pr 30.5, “Toda a Palavra de Deus é
pura; escudo é para os que confiam nele.”) Portanto, recorra a Deus!

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