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domingo, 8 de fevereiro de 2015

OS TIPOS DE TENTAÇÃO

I João 2:16 - “Porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não é do Pai, mas do mundo.”

Alguém disse que estas coisas atingem o homem como ele é: corpo, alma e espírito. Ninguém nunca será levado a outro tipo de tentação além dessas. Quando o mundo nos apresenta em uma destas formas, somos ardente e automaticamente cativados por elas. Como porcos correm para o lamaçal e os cachorros voltem ao vômito, o nosso coração, quando não contrariado, obstina-se para que esses desejos mundanos sejam satisfeitos.

A concupiscência da carne – o desejo ardente da carne de viver para a sua própria glória. A carne zela para não ter limites impostos nela, não sofrer as aflições, nem preocupar-se com as necessidades dos outros. O desejo ardente da carne é ser vigoroso naquilo que interessa a si mesmo e aumentar muito em suas riquezas (Sl. 73.4-5, 12, John Calvin). A tentação pela concupiscência da carne inclui tudo que resulta em vergonha como fornicação, adultério, sodomia e incesto. Desde que o corpo é envolvido em homicídio, invejas, sensualidade e nos excessos que manifestam-se em glutonaria e bebedice, sabemos que essas vergonhas são frutos da concupiscência da carne (Gl. 5.23; I Pe. 4.3, “Porque é bastante que no tempo passado da vida fizéssemos a vontade dos gentios, andando em dissoluções, concupiscências, borrachices, glutonarias, bebedices e abomináveis idolatrias;” John Gill). Jesus passou por esse tipo de tentação: Mt. 4.1-4. A tentação de transformar pedra em pão colocaria mais ênfase na carne do que na submissão à Palavra de Deus pois Jesus veio fazer a vontade do Pai e não a do Satanás. Jesus manteve-se fiel ao Pai e tudo espiritual. Ele não cedeu para gratificar a carne. Jesus recorreu à Palavra de Deus para ter a vitória. Para você ter a vitória sobre as tentações que inflamam a concupiscência da carne, é necessário recorrer a Deus. Seja como Jesus o Salvador!

A concupiscência dos olhos – o olhar que despreza os outros considerando-os inferiores, e a satisfação pela vaidade da aparência pomposa e extravagante. Essa concupiscência sempre procura ter mais do que o coração pode desejar (Sl. 73.7-9 John Calvin). A cobiça se faz presente nessa concupiscência (Mt. 5.28) junto com a ímpia curiosidade para conhecer as vaidades que nunca podem satisfazer (Pv. 27.20, “Como o inferno e a perdição nunca se fartam, assim os olhos do homem nunca se satisfazem.”). A concupiscência dos olhos procura as coisas do mundo mesmo sabendo que não têm como satisfazer o seu coração (John Trapp). Jesus passou por esse tipo de tentação: Mt. 4.5-7. A tentação de lançar-se do pináculo do templo abaixo serviria para fazer um “show espiritual” que seria assistido pela multidão de adoradores no templo. Jesus seria visto apanhado pelos anjos para que Ele não sofresse dano. Essa tentação provocou Jesus a usar as promessas de Deus para a Sua própria vantagem em vez de viver pela fé, dando essa glória ao Pai. Fazer uso impróprio das Escrituras, ou seja, viver para sua própria glória e depois esperar que Deus seja obrigado a te livrar das consequências da sua desobediência pública seria colocar a Escritura contraria a Si mesma. A vitória de Jesus a este tipo de tentação foi por Ele recorrer à Palavra de Deus novamente. Não podemos fazer melhor.

A soberba da vida – orgulho que se expressa em ambição, no desprezo dos outros, na insistência de prevalecer a própria vontade e na confiança excessiva nos seus próprios pensamentos. Essa característica manifesta-se pelo gosto de bajulice, amor dos primeiros lugares nas ceias e as primeiras cadeiras onde congregam as multidões (Mt. 23.6). Esse mal procura ter um exagerado padrão de vida pomposa (Ec. 2.1-11). Esse prazer de viver tão esplendidamente é desejado para ser bem visto pelos outros como também para si mesmo. A soberba confia nos bens do mundo como se estes bens pudessem dar prazer eternamente (Lc. 12.18-21, “E disse: Farei isto: Derrubarei os meus celeiros, e edificarei outros maiores, e ali recolherei todas as minhas novidades e os meus bens; E direi a minha alma: Alma, tens em depósito muitos bens para muitos anos; descansa, come, bebe e folga. Mas Deus lhe disse: Louco! esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será? Assim é aquele que para si ajunta tesouros, e não é rico para com Deus.”; Pv 27.24, “Porque o tesouro não dura para sempre; e durará a coroa de geração em geração?”) Jesus passou por esse tipo de tentação: Mt. 4.8-11. Satanás ofereceu a Jesus uma maneira fácil de ter o domínio do mundo antes da hora prevista, ou seja, ter a glória antes da cruz. A soberba da vida sempre calcula que pode em si mesma fazer melhor do que a vontade de Deus. Jesus recorreu mais uma vez à Palavra de Deus citando o princípio eterno: a vontade de Deus, mesmo que traz sofrimentos, é o nosso primeiro e único dever. Fazendo a vontade de Deus é adorar ao Senhor nosso Deus. Deseja ter a vitória sobre a tentação que inflama a soberba da vida? Seja como o Salvador e recorre a Deus pela aplicação devida da Sua Palavra na hora da tentação.

Desde que nenhumas destas tentações são de Deus mas do mundo (I Jo. 2.17); desde que o pecado habita em nós (Rm. 7.17), e desde que Satanás somente engana e mente (Jo. 8.44), se esperamos ter a vitória sobre a tentação, só resta Deus. A Ele devemos chegar para ter a vítória que redunda para a Sua glória (Tg. 4.8; Rm. 7.24-25). Não temos outra opção.


Antes de procurar ajuda dum parente respeitado ou dum líder eclesiástico, consulte a Deus. Observando a Sua Palavra o mancebo purifica o seu caminho (Sl. 119.9, “Com que purificará o jovem o seu caminho? Observando-o conforme a tua palavra.”). Somente guardando a Sua Palavra no coração podemos evitar o pecado (Sl. 119.11, “Escondi a tua palavra no meu coração, para eu não pecar contra ti.”). A Palavra de Deus ilumina o caminho que devemos andar (Sl. 119.105, “Lâmpada para os meus pés é tua palavra, e luz para o meu caminho.”). Aquele que recorra a Deus pela Sua Palavra consulta o que é puro e protege todos que confiam nEle (Pr 30.5, “Toda a Palavra de Deus é pura; escudo é para os que confiam nele.”) Portanto, recorra a Deus!

domingo, 1 de fevereiro de 2015

AS ORIGENS DAS TENTAÇÕES

“A verdadeira conversão dá segurança à pessoa, mas não lhe confere o direito de parar de vigiar" - C.H. Spurgeon 
Estamos iniciando hoje o segundo mês da estação VERÃO, cuja ênfase será VIGILÂNCIA NAS TENTAÇÕES, inspirados na advertência do Senhor Jesus aos discípulos no Getsêmani: “Vigiem e orem para que não caiam em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é fraca.” (Mt. 26:41 - NVI).

É interessante observarmos que a palavra "tentação" tem na língua portuguesa, a mesma origem da palavra "tentativa", ou seja, vem do verbo "tentar", que envolve a ideia de mostrar uma intenção, de pretender algo. Desta maneira, a tentação é apenas uma disposição de ânimo, e não a concretização de uma vontade em atitudes. Por isso, ser tentado não é pecado, como mostra claramente o texto de Hb. 4:15: "pois não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas, mas sim alguém que, como nós, passou por todo tipo de tentação, porém, sem pecado".

A tentação é então uma proposta para a prática do pecado, para uma atitude de desobediência aos preceitos estabelecidos pela Palavra. Por isso Deus não pode tentar pessoa nenhuma, nem pode ser tentado por quem quer que seja, pois ninguém pode fazer Deus pecar, e nem Ele, diante de Sua santidade e caráter, pode fazer alguém pecar (Tg. 1:13).

Concluímos que a tentação não tem origem em Deus, mas que se encontra no próprio ser humano, no diabo e suas forças espirituais ou, ainda, na combinação de ambos. Já que é algo que não vem do Senhor, é plenamente possível vencermos as tentações, de modo que não sejam bem-sucedidas em seu intento de nos afastar da presença de Deus. Temos então uma esperança viva de que podemos vencê-las!

A primeira fonte da tentação é a própria natureza humana, ou seja, nós mesmos. O texto de Tg. 1:14 nos revela que "cada um é tentado quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência". Como ser moral que é, o homem tem consciência em si mesmo de que existe o certo e o errado. Dotado de liberdade, o chamado livre arbítrio, tem o poder de decidir entre obedecer a Deus ou não. Assim sendo, é possível que o homem escolha seguir um caminho diferente daquele determinado pelo Senhor. É aí que entra em cena a figura do "eu", que sente que pode se tornar o centro de sua vida. Nesse momento o homem é tentado a pecar e se desviar da vontade de Deus, atraído pela possibilidade de satisfazer seu próprio querer. Concebido o pecado vem com ele a morte, que nada mais é que a separação entre ele e o Criador.

Mas não é apenas a "carne" que pode gerar tentações no ser humano. O diabo também é fonte de tentação na vida do cristão, e por esse motivo é chamado nas Escrituras de "tentador". Na primeira tentação, o diabo apresentou-se à mulher com a intenção de desviá-la do propósito de servir a Deus. Para isso usou de tentativas, iniciando um diálogo com a mulher, através do qual fez nascer nela o desejo de ser igual a Deus (Gn. 3:1-5). Este mesmo desejo de independência em relação a Deus havia sido o motivo da queda do próprio satanás, de maneira que seu trabalho foi despertar no homem o mesmo sentimento que causou a sua perdição (Is. 14:15). Para demonstrar Sua plena humanidade enquanto esteve entre nós, o próprio Jesus foi tentado pelo diabo, e não apenas as três vezes relatadas pelos Evangelhos, como podemos inferir dos textos de Lc. 4:13 e Hb. 4:15.

A terceira fonte de tentação é o "mundo", ou seja, o sistema organizado pelo diabo e que está estabelecido sobre todos os homens que não foram salvos por Jesus. O mundo tem seus atrativos e, se não vigiarmos, acabaremos por amar o que há nele. Será inevitável pecarmos, pois quem ama o mundo, não tem o amor de Deus em si mesmo (I Jo. 2:15). Por "mundo" não nos referimos às coisas criadas por Deus, mas, sim, ao sistema maligno, gerado após a queda do homem, pelo qual os seres humanos passam a viver debaixo do mal (I Jo 5:19) e sob o império da morte (Rm. 6:23; Ef. 2:1). No mundo, portanto, temos a conjugação tanto do "ego" humano, isto é, da "carne", como também do diabo, que é "o deus deste século" (II Co. 4:4).


Citando Martinho Lutero, "não podemos impedir que um pássaro voe sobre as nossas cabeças, mas podemos impedir que ele faça um ninho em nossas cabeças". De igual modo, não podemos evitar as tentações, já que estamos inseridos no mundo e em constante batalha contra o inimigo de nossas almas. Mas estando sempre em comunhão com o Senhor, buscando Sua presença na meditação da Palavra e na oração, certamente seremos guardados por Ele e teremos vitória.

domingo, 25 de janeiro de 2015

VIGILÂNCIA CONTRA A APOSTASIA - O TEMPO DO FIM

A precaução quanto a apostasia (afastamento definitivo e deliberado da fé) é ordenança de Deus para os cristãos de todas as épocas. A medida em que o tempo do fim se aproxima, torna-se mais urgente o alerta para as diferente maneiras como o inimigo contraria nossa fé, tentando afetar nossas emoções e a nossa expectativa a respeito da vinda de Cristo. Estamos suscetíveis as mais variadas formas de pressão, e estes ataques muitas vezes tem efeitos devastadores naqueles que estão enfraquecidos espiritualmente pela falta de vigilância.
Vivemos tempos perigosos, onde a extrema carnalidade e um tipo de santidade sem vida têm caracterizado o cristianismo nominal. Creio que se aproximem dias em que será extremamente difícil para os verdadeiros cristãos se posicionarem diante das novas condições sociais e religiosas impostas pela pós-modernidade. O apóstolo Paulo teve uma antevisão dessa realidade escrevendo a Timóteo: "Saiba disto: nos últimos dias sobrevirão tempos terríveis. Os homens serão egoístas, avarentos, presunçosos, arrogantes, blasfemos, desobedientes aos pais, ingratos, ímpios, sem amor pela família, irreconciliáveis, caluniadores, sem domínio próprio, cruéis, inimigos do bem, traidores, precipitados, soberbos, mais amantes dos prazeres do que amigos de Deus, tendo aparência de piedade, mas negando o seu poder. Afaste-se também destes." (2 Tm 3:1-5 - NVI)
Segundo podemos depreender do texto, o ser humano mergulhará cada vez mais rápido numa espiral descendente de degradação moral e corrupção de valores. Por outro lado, a despeito do que se possa imaginar, a religião continuará tendo um papel importantíssimo na sociedade, pois a religiosidade e a hipocrisia fazem o homem buscar uma "aparência de piedade", a fim de criar para si uma imagem aceitável, mas negando na prática os princípios básicos do Cristianismo. Cada vez mais veremos cristãos nominais, projetando ao mundo uma imagem totalmente falsa do Evangelho. Será sem dúvida um tempo onde surgirão enganadores e falsos profetas, hábeis manipuladores da palavra, que serão seguidos cega e fervorosamente por aqueles que tem "comichões em seus ouvidos" (2Tm 4:3).
O Senhor Jesus também nos adverte sobre os últimos dias antes da Sua segunda vinda, que serão como os dias de Noé e de Ló (Lucas 17:26-30). Durante esse tempo prevalecia a imoralidade, a violência, a maldade e o materialismo em larga escala. Como cristãos vigilantes, devemos ter consciência do colapso das normas morais e espirituais, e fazer todo possível para nos mantermos firmes, submetendo-nos a Cristo e resistindo ao mal. Deus nos chama a sermos luz para esse mundo imerso em trevas, e sal para uma terra insípida em seus valores.
Certa vez perguntaram a John Wesley - O que você gostaria de estar fazendo quando Jesus voltar? Ele respondeu: "eu gostaria de estar fazendo o que faço todos os dias, pois todos os dias aguardo ansiosamente a vinda do Senhor Jesus."

Temos que estar preparados, alertas e vigilantes. Façamos um inventário de nossas vidas: como está minha comunhão com Cristo? Onde está o meu coração? Estou vivendo em santidade? Vivamos na ardente expectativa da segunda vinda de Cristo, orando sempre, “Maranata, ora vem, Senhor Jesus”.

domingo, 18 de janeiro de 2015

VIGILÂNCIA PESSOAL

A palavra vigilância tem sua origem no latim vigilare, e significa, de acordo com o Dicionário Aurélio: "observar atentamente, estar atento a, atentar em, estar de sentinela, precaver-se, acautelar-se". No âmbito espiritual podemos dizer que vigilância é estar alerta quanto a qualquer perigo que ponha em risco nossa perfeita comunhão com Deus. É um exercício de natureza preventiva, que deve aliar a humildade com a prudência: "Aquele, pois, que pensa estar em pé veja que não caia." (l Co 10.12 - RA), e que não deve ser confundida com medo ou ansiedade. É uma dose equilibrada de cuidado, já que não devemos superestimar e nem subestimar o poder e as artimanhas do inimigo.

Ser um cristão vigilante é ter consciência da realidade espiritual. Por um lado a nossa comunhão com Cristo, onde obtemos força e ânimo para enfrentarmos os desafios da vida, e por outro, os perigos contidos no reino de Satanás, contra o qual devemos resistir firmemente. É uma batalha travada no reino espiritual, "porque a nossa luta não é contra o sangue e a carne, e sim contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes." (Ef 6:12 - RA). Estar em vigilância requer que os nossos olhos estejam abertos a esta realidade e que tal conhecimento determine nossas ações e decisões.

Para avançarmos na disciplina da vigilância pessoal, é necessário conhecermos três importantes perspectivas. Ao crescer nessa compreensão, estaremos nos habilitando para ajustar nossa conduta. Em alguns casos será de prudência defensiva, na precaução e cautela quanto às ciladas do diabo, e em outros será de ousadia belicosa, para denunciar e repreender o inimigo.

A primeira é uma perspectiva dirigida para o alto: "Pensai nas coisas lá do alto, não nas que são aqui da terra;" (Col 3:2 - RA). O amor ao mundo e o que nele há não deve habitar nossos corações, pois quem vive pensando apenas no que é material, nunca será uma pessoa espiritual. Isso nos rouba a oportunidade de estarmos preparados para lutas e tentações que certamente virão, pois quando o amor ao mundo impera em nossa mente, ele nos mantém presos a carne e suas paixões. Se permitirmos que nossa mente seja tomada pelas coisas deste mundo, impediremos nosso crescimento na graça e no conhecimento de Cristo. Por isso precisamos nos habituar a meditar naquilo que é concernente a Deus, pois assim fazendo teremos sabedoria e força para resistir no dia mal.
A segunda perspectiva é relativa ao nosso interior, e diz respeito a um autoexame contínuo debaixo da direção do Espírito Santo, para enxergarmos se existe algum fermento de pecado nas nossas vidas (I Co 5:8 - RA). Devemos atentar constantemente contra maus sentimentos e pensamentos que podem entrar nos nossos corações. Para isso é fundamental que consideremos com cuidado tudo quanto vemos, ouvimos e falamos, além de nossa conduta e o caráter de nossas ações. Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca. (Mt 26:41 - RA).

A terceira perspectiva é dirigida ao exterior. Devemos estar alertas para identificarmos as estratégias do inimigo, evitando assim sermos apanhados em ciladas malignas através do engano e da mentira. Somente através da sabedoria e do discernimento do Espírito Santo seremos capazes de enxergar as armadilhas preparadas para roubar nossa comunhão com o Pai e nos tirar do centro de Sua vontade. Busquemos com coração sincero e quebrantado essa capacitação espiritual. "Se, porém, algum de vós necessita de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente e nada lhes impropera; e ser-lhe-á concedida." (Tg 1:5 - RA).

Como ministrou o apóstolo Paulo aos cristãos em Tessalônica: Assim, pois, não durmamos como os demais; pelo contrário, vigiemos e sejamos sóbrios.” (I Ts 5:6 - RA). A palavra que foi traduzida “dormir” neste texto, refere-se a letargia e insensibilidade. Que estejamos despertos e sensíveis a voz do Espírito, usando das armas a nossa disposição: a verdade, a justiça, a salvação, o evangelho da paz, a oração, o jejum e a Palavra de Deus, a espada de dois gumes usada por Cristo para derrotar Satanás (Mt 4). Sigamos então o Seu exemplo! Não deixemos de jejuar, vigiar e orar para nos mantermos firmes diante das dificuldades e tentações.

domingo, 11 de janeiro de 2015

PÓS-MODERNIDADE E O RELATIVISMO ÉTICO-MORAL

Uma das características mais marcantes da pós-modernidade é o rompimento com aquilo que é geral ou universal, em favor do que é particular ou individual. Ao olharmos para a modernidade, vemos que se falava em verdades universais e absolutas, algo que em nossos dias é inaceitável. Quanto ao modo de agir, se falava em valores absolutos de conduta e comportamento, enquanto para a pós-modernidade este é um discurso taxado como ultrapassado, retrógrado e preconceituoso.
Ao contrário da modernidade a pós-modernidade assumiu o relativismo. Segundo Carl Henry (Dicionário de Ética Cristã), relativismo é a teoria de que a base para os julgamentos sobre conhecimento, cultura ou ética difere de acordo com as pessoas, com os eventos e com as situações. Ou seja, para o pós-modernista a realidade é o que o indivíduo imagina que seja. Isso significa que o que é "verdadeiro" é determinado subjetivamente por cada um, e não existe a chamada verdade objetiva. O pós-modernista acredita naturalmente que não faz sentido debater se a opinião de A é superior à opinião de B. Afinal de contas, se a realidade é meramente uma invenção da mente humana a perspectiva de verdade de uma pessoa é tão boa quanto a de outra.
O relativismo pode ser visto diariamente nas palavras e atitudes das pessoas que nos cercam. Provavelmente, a maioria de nós já teve uma discussão encerrada com as seguintes palavras: “não vale a pena discutir, afinal, você tem a sua verdade e eu tenho a minha”. Ou, quem nunca foi questionado depois de emitir sua opinião sobre algo ou alguém: “quem é você para julgar?”. Essas palavras revelam como o relativismo tomou conta de nossos dias. Vivíamos em uma sociedade que cria na existência da verdade, mas agora uma nova palavra determina todo o comportamento: tolerância.
Diante dessa realidade, devemos analisar quais as conseqüências da influência de tais conceitos para a Igreja. Ora, se tolerância significa a aceitação de que o valor definido pelo indivíduo e o seu estilo de vida, são igualmente válidos, e que julgamentos morais são atitudes intolerantes, corremos o risco de cairmos numa permissividade ético-moral para nos adaptarmos ao mundo, já que não podemos ferir o que é politicamente correto. Infelizmente temos visto o processo de mundanização invadindo inúmeras denominações evangélicas. É contra isso que nos alerta o apóstolo Paulo em Romanos 12:2: “Não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus”.
Quando Deus se revelou a Moisés na sarça ardente lhe disse: “Eu Sou o que Sou”. E em João 14:6 Jesus afirma aos seus discípulos: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim”. Essas são declarações absolutas! Aleluia! Ainda que o homem atribua significados à realidade, para nós a verdade é objetiva. Nossa fé e esperança estão fundamentadas em verdades eternas reveladas por meio da Palavra de Deus. Estejamos, pois, preparados para a batalha: “Cuidado que ninguém vos venha a enredar com sua filosofia e vãs sutilezas, conforme a tradição dos homens, conforme os rudimentos do mundo e não segundo Cristo.” – Colossenses  2:8.
Conforme lemos em I Tessalonicenses 4:3 e 7, a santificação é não só a vontade, mas também o chamado do Senhor para sua Igreja. Não é uma opção pessoal, mas imperativo de Deus ao seu povo. Isso se aplica a todos os cristãos em todos os momentos históricos. No entanto, é possível afirmar que cada época apresenta desafios próprios para o cristianismo. Sem dúvida vivemos dias em que a batalha contra a relativização da ética e da moral é parte integrante de nossa realidade.
Que neste primeiro mês do ano possamos consolidar convicções que nos levem a viver em santidade:
a) Temor ao Senhor – submetendo-nos sempre a vontade dEle, e diante das tentações fazendo a escolha de não pecar;
b) – mantendo-nos fiéis aos padrões de comportamento nos quais cremos, pois como diz o texto de Romanos 14:23, “tudo que não provém de fé é pecado”;
c) Amor – buscando o verdadeiro amor em Cristo, de modo que se torne cada vez mais difícil pecar contra Deus e contra o próximo;
d) Testemunho – crendo que o Senhor nos chamou para levarmos salvação ao mundo através de uma conduta reta e justa.

Que possamos através do estudo de Sua Palavra, e na busca de uma maior e mais profunda comunhão com Ele, crescer no conhecimento da verdade que liberta. E creiamos que a despeito do preço a ser pago, andar em santidade nos habilita a viver livramentos e vitórias pela intervenção do Senhor (Josué 3:5), pois agradaremos o coração do Pai, e teremos autoridade para enfrentar os inimigos e as adversidades.


“Então vereis outra vez a diferença entre o justo e o ímpio; entre o que serve a Deus, e o que o não serve.”  – Malaquias 3:18