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terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

SIMBOLOGIA E REJUDAIZAÇÃO

Uma mensagem pode ser expressa através de um símbolo, que por sua vez ensina uma verdade ideológica. Um símbolo se não for bem pensado e analisado, pode refletir o que não se queria, especialmente os que vem do passado. É nessa dificuldade que o neopentecostalismo tem caído. Por não haver em seus círculos muitas pessoas com uma formação teológica mais profunda, pela preocupação quase que exclusiva na propagação de sua mensagem, por ignorar a correta doutrina e serem autossuficientes, os neopentecostais têm escolhido símbolos que revelam suas falhas estruturais. Veremos no âmbito desse trabalho apenas três deles, os mais utilizados, já que esse universo é vastíssimo.
Em primeiro lugar temos a estrela de Davi, ou estrela de seis pontas. Se a observarmos bem veremos que ela consiste de um triângulo com o vértice para cima e o outro para baixo. Seu nome original no hebraico é Magen Davi, o que significa “escudo de Davi”, e é parte integrante da bandeira de Israel.
Os neopentecostais são grandes admiradores da simbologia de Israel. Não por acaso, mas por uma questão teológica: a porção da Bíblia que fala sobre Israel, o AT, não trata do sacerdócio universal dos crentes, mas do sacerdócio levítico e de sua elite religiosa como classe dominante. Isso combina com sua eclesiologia que geralmente é elitista.
A essência do neopentecostalismo exige que exista uma estrutura de poder centralizada, de modo que um líder domine. Por ser aquele que detém as revelações, o pastor neopentecostal não pode ser confrontado, parecendo muito mais com um sacerdote do AT do que com um pastor evangélico.
Se o conteúdo neopentecostal é baseado no AT, podemos dizer idem para os seus símbolos. A estrela de Davi remete o fiel as vitórias e conquistas do rei Davi, fazendo com que ele relacione o seu presente com a vida do personagem. Através de uma fraca hermenêutica, torna-se fácil associar a aliança davídica com uma aliança que o fiel pode ter hoje, e que trará sobre sua vida as mesmas vitórias do passado. Se a cruz fala de dores, a estrela de Davi fala de conquistas.
Como dito pelo Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho no Congresso de Adoração, acontecido na quinta-feira, dia 26 de julho, por ocasião da 99ª Assembléia da CBF, em Cabo Frio, RJ:

         Mas há um problema aqui. Na realidade, a estrela de Davi não é judaica. É um símbolo do Oriente, não judaico, que designava a fertilidade, a união do masculino e do feminino. O masculino é o vértice para cima, e o feminino o vértice para baixo. Entre os sumérios, simbolizava a união de Marte, o masculino, com Vênus, o feminino. Com toda probabilidade, Davi não usou esta estrela. Ela foi introduzida na bandeira de Israel por Theodor Herzl, o fundador do sionismo. Entrou no judaísmo pela cabala, pelo significado da união sexual do masculino e feminino. Pode ser hoje um símbolo judaico, mas não é bíblico. Era pagão. Parece que passou a ser usada pelos judeus no século XV como símbolo distintivo, querendo os judeus asquenazis um símbolo para si, como os cristãos tinham a cruz. Um símbolo pagão que foi adotado pelos judeus como resposta à cruz dos cristãos. Eis a estrela de Davi.

O candelabro de sete braços, chamado menorah ou menorá, é outro símbolo largamente usado. De acordo com as instruções de Moisés (Êx 37.17-23), ele foi criado no deserto por Bezalel, para ser colocado no tabernáculo no deserto. É constituído de uma haste central de onde saem três braços para cada lado, e sete lumes de lâmpadas. Simbolizando a presença de Deus e Sua luz no meio do seu povo ele deveria ser feito de ouro puro.
Não precisamos mais de símbolos ou objetos que representem a presença de Deus no nosso meio, pois o Espírito de Deus foi derramado no Pentecostes, e agora somos Sua habitação, templos onde habita a luz da Sua glória.
Segundo o Pr. Isaltino Gomes Coelho, no mesmo Congresso:

         Moisés não criou a figura do nada. Ela é uma representação da árvore do mundo babilônica. Curiosamente, a lâmpada central se chamava Shamash, o nome do deus babilônico Sol. Aliás, Gênesis não cita o Sol e a Lua, na criação, mas fala do luminar maior e do luminar menor (Gn 1.16), exatamente para evitar o culto ao deus Sol. Não é necessário presumir que Moisés copiou os caldeus, mas é licito pensar numa memória da raça, em algo comum ao mundo daquela época. O Sol era o centro da vida para todos.

           
O primeiro símbolo que analisamos, que foi adotado pelos judeus, era um símbolo pagão. Logo após analisamos um símbolo judeu que tem estreita relação com um símbolo babilônico. Finalmente chegamos  a pomba, o terceiro símbolo mais usado no neopentecostalismo e que é cristão.
A Bíblia nos revela, a partir do batismo de Jesus em Mt 3:16, que a pomba é símbolo do Espírito Santo. É preciso que atentemos para o fato de algumas igrejas terem a pomba como símbolo, mas não terem a cruz. Qual mensagem está sendo passada?
A ação do Espírito Santo, e não a cruz ou Cristo, é o foco das igrejas neopentecostais. Há uma ligação incorreta feita por muitos fiéis entre mover do Espírito e a alma (psique), sede das emoções do ser humano. Assim as emoções prevalecem no ambiente neopentecostal, tomadas como manifestações do Espírito. Então o subjetivo  - "Estou sentindo no meu coração" - prevalece sobre o objetivo - "A Bíblia diz assim".
Sem entrar no mérito da origem desses símbolos, temos que reconhecer que eles estão presentes em templos e levam as pessoas a uma reflexão espiritual. A grande questão a ser analisada é que a linguagem dos símbolos está sujeita à interpretações pessoais. Assim ele pode ter uma conotação maior ou menor para o indivíduo, dependendo de como ela o recebe. Uma sensação é comunicada, muito mais que conceitos. Importa como a pessoa se sente e não uma análise teológica, porque as necessidades espirituais mais do que intelectuais são emocionais.
Além do discurso emocional, a pregação neopentecostal é baseada em símbolos que remetem à imaginação, sendo emotiva e não direcionada ao intelecto. É por esse motivo que entre os neopentecostais o anseio pelo sobrenatural é suprido em muito maior intensidade do que entre os tradicionais. Nas palavras do Pr. Isaltino Gomes Coelho: "Corremos o risco de criarmos um 'alto evangelho', assim como há um 'alto espiritismo'".

Trecho extraído de:
ALVES FILHO, Rubens. Incoerências Apostólicas: Princípios veterotestamentários e heresias nas igrejas neopentecostais brasileiras. 2015. 38 f. Trabalho de Conclusão de Curso - TCC (Pós-Graduação em Teologia) - Faculdade Teológica Batista de São Paulo, São Paulo, 2015.

domingo, 7 de fevereiro de 2016

CARNAVAL: PÃO E CIRCO

“Andemos dignamente, como em pleno dia, não em orgias e bebedices, não em impudicícias e dissoluções, não em contendas e ciúmes; mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo e nada disponhais para a carne no tocante às suas concupiscências.” - Romanos 13:13-14

Creio que seja desnecessário falarmos das origens pagãs do Carnaval e de seu objetivo primordial de satisfação da carne. Sabemos que todos os anos os mesmos resultados são divulgados pelos meios de comunicação: violência multiplicada pelo uso de drogas lícitas e ilícitas, com o aumento de assaltos e assassinatos, acidentes de trânsito, gravidez inconsequente e multiplicação de abortos, entre tantos outros saldos negativos. E o mais grave é que essas comemorações são bancadas com dinheiro público.
É de conhecimento geral que na antiga Roma os imperadores reuniam as multidões nas arenas para assistir grandes espetáculos. Durante essas festas eram jogados pães ao povo com a intenção de conquistar sua lealdade, de modo que ao se retirarem saíam ainda mais pobres e ignorantes. Essa era uma estratégia para distrair e ocupar o povo, dominando a opinião da massa fazendo-os pensar que tudo estava bem. Essa antiga estratégia romana continua em vigor através do atual carnaval, onde o povo iludido esquece a realidade e se autodestrói. Como cidadãos conscientes não podemos nos conformar com tal situação, muito menos como cristãos.
Parafraseando a reportagem da edição da revista britânica “The Economist” para as Américas, o Brasil está “festejando à beira do precipício”. Enquanto o povo faz uma pausa para esquecer dos problemas, e os políticos só voltarão aos trabalhos efetivos após o fim da folia, o país enfrenta dois sérios problemas: o vírus zika e a piora das crises econômica e política. Mas tudo bem, a quarta-feira de cinzas está logo aí...
Friedrich Nietzsche disse em certa ocasião: "Ter fé é dançar a beira do abismo". Independente do sentido dado pelo famoso pensador ateu, notadamente contrário ao pensamento judaico-cristão, podemos dizer que ele está certo! Diferentemente do festejo irresponsável que acontecerá nesses dias de carnaval, ter fé significa realmente correr riscos e confrontar o impossível. Crer verdadeiramente em Deus nos garante que a despeito das circunstâncias estamos nas mãos seguras do Criador.

domingo, 24 de janeiro de 2016

POR QUE DEVEMOS ORAR PELAS AUTORIDADES?

"Exorto, pois, antes de tudo que se façam súplicas, orações, intercessões, e ações de graças por todos os homens, pelos reis, e por todos os que exercem autoridade, para que tenhamos uma vida tranquila e sossegada, em toda a piedade e honestidade. Pois isto é bom e agradável diante de Deus nosso Salvador, o qual deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade." - 1 Timóteo 2:1-4

É interessante como o apóstolo Paulo adverte que "antes de tudo" oremos pelas autoridades constituídas. Infelizmente o evangelho pregado em muitas igrejas valoriza uma intercessão egocêntrica, que prioriza as orações por si mesmo. Esse é um dos efeitos perversos da chamada "teologia da prosperidade", que leva ao entorpecimento da consciência cristã e desvia os crentes do correto foco bíblico.
Ainda segundo o texto, devemos orar não só de uma, mas de diversas maneiras pelas autoridades. Devemos suplicar, ou seja, pedir com insistência, perseverança e fé na vontade do Senhor. Orar significa conversar regularmente com Deus, é uma prática diária, pelo que não podemos ser inconstantes. Precisamos ainda interceder, nos colocar no lugar do outro e tentar conhecer suas necessidades e dificuldades.
Por último devemos render ações de graças por nossas autoridades. Tenho certeza de que cada leitor pensou: "É impossível agradecer a Deus pelos políticos que temos no Brasil!".  Mas podemos agradecer ao Senhor pelos bons políticos (ainda que sejam escassos!) e por atitudes isoladas que tenham gerado efeito positivo a nossa sociedade. Certamente será muito melhor do que ficarmos apenas reclamando e nos desanimando pensando não haver saída para a crise instaurada.
Os objetivos de nossa intercessão também estão claros no texto: uma vida tranquila, sossegada, de piedade e honestidade, que conduza mais pessoas a serem salvas e libertas. Sossego e tranquilidade aqui não significam uma vida de “sombra e água fresca”, mas sim segurança. E ela não está nas mãos de governantes ou políticos, mas nos joelhos da Igreja! Oremos para que Deus nos livre de todo clima de insegurança e medo!
Por outro lado, devemos atentar as diversas tentativas parlamentares de evitar que vivamos em piedade agradando a Deus. São propostas sutis e capciosas de tolher nossa liberdade religiosa e de institucionalizar comportamentos contrários a Bíblia. Se não clamarmos hoje, talvez as próximas gerações não possam praticar nossa fé em público, ou viver uma vida de santidade segundo a Palavra de Deus. Devemos orar pelas autoridades se quisermos que nossos filhos tenham liberdade de viver sua fé em Cristo.
Um último alerta importante: quando deixamos de orar pelas autoridades estamos comprometendo o avanço do evangelho e, por consequência, a conversão de almas a Jesus. Iniciativas evangelísticas bem planejadas, às vezes com grande aporte de recursos, podem  não alcançar o sucesso previsto pela falta de intercessão pelas autoridades. Devemos orar por elas, sem olhar para as cores partidárias, pois para isso fomos chamados por Deus.

domingo, 17 de janeiro de 2016

A VERDADEIRA PROSPERIDADE

"Então Jó se levantou, e rasgou o seu manto, e rapou a sua cabeça, e se lançou em terra, e adorou. E disse: Nu saí do ventre de minha mãe e nu tornarei para lá; o Senhor o deu, e o Senhor o tomou: bendito seja o nome do Senhor." - Jó 1:20,21

Vivemos dias em que a "prosperidade" invariavelmente permeia os discursos religiosos. Nesse contexto a integridade de Jó perante o sofrimento e a perda de todos os seus principais valores é um grande exemplo. Certa vez questionaram um líder religioso acerca de sua vida nababesca. Sua resposta foi: "se meu Pai é rico, porque eu também não seria?". Infelizmente esse homem não entendeu os princípios bíblicos sobre prosperidade e os seus alertas quanto aos perigos do acúmulo de riquezas (I Tm 6:9, 10).
A fidelidade de Jó, especialmente em meio a pós-modernidade, é obviamente um desafio para poucos. Nossa sociedade nos pressiona diuturnamente ao consumo, as conquistas materiais, a ascensão social, enfim, ao ter cada vez mais. O sinal da benção de Deus na vida do homem não se resume a mensurar a riqueza que possui, mas a qualidade de sua relação com o Pai, um coração cheio de fé, alguém de firme caráter e santidade mesmo em meio a escassez.
O que os cristãos modernos precisam entender é a relação unívoca que existe entre ser cristão e riquezas. Uma pessoa pode através de seu trabalho, seu talento profissional e as oportunidades que aproveitou tornar-se rica sendo um servo de Deus. Por outro lado, não podemos afirmar que todos aqueles que aceitam o evangelho de Cristo tornar-se-ão ricos. Aliás o termo "prosperidade" em seu sentido original significa avançar, progredir, desenvolver-se. Todas essas características devem estar presentes naquele que tem o Espírito Santo, mas não necessariamente elas o farão uma pessoa rica no sentido econômico e financeiro.
O texto de Mt 6:33 nos diz: "Mas buscai primeiro o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas". A interpretação da passagem é clara e direta, ou seja, devemos buscar como prioridade em nossas vidas as coisas espirituais. Infelizmente muitos cristãos têm visado somente bênçãos, milagres e portas abertas, mas não estão dispostos a entregar nada ao Senhor. Quando muito creem que ofertas volumosas ou fruto de grandes sacrifícios é que moverão o coração de Deus. Não é isso que Ele deseja: "Filho meu dá-me o teu coração" (Pv 23:26). A relação é inversa, quando amo ao Senhor e estou cheio de Sua presença tenho o desejo de lhe entregar o melhor como reconhecimento do que Ele tem feito em minha vida. 
A verdadeira prosperidade se encontra em confiarmos plenamente na suficiência e fidelidade de Deus, em nos dedicarmos ao trabalho e nos contentarmos com o que Ele nos concede para vivermos dignamente. Com o objetivo de cuidarmos de nossas famílias, cuidarmos de Sua obra na terra e darmos bom testemunho para o mundo abençoando os necessitados.

domingo, 10 de janeiro de 2016

ÂNIMO EM MEIO A CRISE

“Busquem a prosperidade da cidade para a qual eu os deportei o orem ao Senhor em favor dela, porque a prosperidade de vocês depende da prosperidade dela.” (Jr. 29:7)

A mídia especializada e os profetas econômicos de plantão apontam para um 2016 com alta da inflação, contração do PIB, alta do desemprego, enfim, de absoluta crise. E não só no âmbito da economia, mas também no cenário político, com a operação lava-jato, ameaça de impeachment da Presidente da República e os vários casos de corrupção em todos os escalões governamentais. Sobrou até para o nosso "esporte bretão" com os escândalos revelados na FIFA e CBF... Diante de expectativas tão sombrias, qual deve ser o posicionamento dos servos de Deus?
Podemos tirar lições maravilhosas da carta escrita pelo profeta Jeremias aos exilados judeus na Babilônia, preparando-os para 70 anos de exílio em Jeremias 29. Nos versículos 5 a 7, Deus dá instruções para o povo exilado viver, desfrutar e prosperar no exílio. Ali também os judeus deveriam interceder pela terra, pelo povo, e lutar pela prosperidade. O povo deveria viver intensamente apesar das circunstâncias. Eles estavam sobre forte pressão do governo, e numa situação desta, o normal é deixar o desanimo tomar conta do coração. Mas a ordem de Deus foi para que o povo tomasse uma atitude.
Devemos nos posicionar em relação a nossa pátria de acordo com essa Palavra. É evidente que os fatos e as constatações nos levam a fazer declarações contrárias ao governo em exercício. É lícito e uma garantia constitucional o direito de expormos nossas opiniões. Mas não podemos esquecer nossa responsabilidade espiritual, de interceder pelas autoridades e pela nossa população.
Por outro lado, se as más notícias nos desanimam quanto a vida profissional, o Senhor nos exorta a trabalharmos pela prosperidade da terra. Nossa responsabilidade como cidadãos é continuar produzindo, porque do sucesso do Brasil depende o nosso sucesso pessoal.
Lembremos das palavras de Jesus: "Não peço que os tires do mundo, mas que os livres do mal" - Jo 17:15. Não estaremos isentos dos efeitos da crise, mas devemos crer nos livramentos que o Senhor já nos tem preparado.
Nas palavras de Jeremias Deus fala de paz, futuro e esperança. Em meio a crise isso parece contraditório, mas prova que Ele está no controle de todas as coisas. Temos que ter consciência que a vida continua e não podemos deixar de viver. Certamente não existirão soluções fáceis, mas nos voltando de todo coração ao Senhor, encontraremos o caminho da verdadeira prosperidade.

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

COMEÇAR DE NOVO

"Porque há esperança para a árvore que, se for cortada, ainda se renovará, e não cessarão os seus renovos. Se envelhecer na terra a sua raiz, e o seu tronco morrer no pó,
Ao cheiro das águas brotará, e dará ramos como uma planta." - Jó 14:7-9

As circunstâncias que envolvem o início de um novo ano, invariavelmente nos levam a reflexões sobre a oportunidade de recomeçar. É uma necessidade de todos nós encontrar áreas onde possamos reiniciar nossa caminhada. A oportunidade de começar de novo é uma das coisas mais importantes da vida.
Por mais que nos esforcemos para acertar, é inevitável que em diversas ocasiões cometamos equívocos: uma palavra mal colocada, uma decisão errônea ou o desperdiçar de uma oportunidade. Mas apesar da realidade de nossas imperfeições, o Senhor na Sua misericórdia nos dá a chance de recomeçar!
É exatamente aí que devemos traçar uma linha demarcatória que separe as lembranças dos fracassos, da esperança de um futuro bem-sucedido. Na prática isto significa que devemos estar dispostos a deixar para trás as deformações de caráter que nos impediram de tomar as decisões e as atitudes adequadas para que obtivéssemos sucesso em nossa empreitada. Isso inclui mudar a maneira como nos vemos e como pensamos que Deus nos vê. O Senhor certamente tem o melhor para nós, e nos concede capacidade, pois "Ele opera em nós o querer e o efetuar".
A Bíblia nos mostra inúmeros exemplos da necessidade de recomeçar. O povo de Israel depois de desobedecer a Deus e ser levado cativo ao exílio teve que reconstruir o templo, os muros de Jerusalém, a religião e suas próprias vidas (Livros de Neemias e Esdras). A mulher flagrada em adultério recomeçou sua vida após a palavra de Jesus: “vá e não peques mais”, dita diante de uma multidão ávida pelo apedrejamento (Jo 8.11). Até mesmo o filho pródigo, com todas as suas falhas, teve uma oportunidade de recomeço junto ao pai. (Lc 15.20). Nossa própria conversão é chamada "nascer de novo”, ou seja, um recomeço para uma nova vida sob novos valores (Jo 3.3).
Alguém já disse que errar é humano. Podemos dizer que recomeçar também é. Olhemos para nossas vidas com uma atitude de ânimo e vitória. Com perseverança trabalhemos por nossas famílias, profissão, ministério, sonhos, nos voltando para Deus, pois nEle encontramos forças para essa retomada de rota.
Mudemos nosso relacionamento com o Pai, nossas atitudes cotidianas, nossos pensamentos, nossos objetivos, entendendo que quem deseja um resultado diferente precisa utilizar uma "receita" diferente. Se desejamos um bolo "floresta negra", não podemos usar a velha receita do "bolo de fubá".

domingo, 20 de dezembro de 2015

NATAL, BOA-NOVA DE ALEGRIA!

O Natal para o mundo tem vários sentidos diversos da verdade bíblica e espiritual. É época onde o comércio aumenta seus lucros pela avidez do consumo de presentes, onde as pessoas tornam-se mais sensíveis aos dramas humanos, tempo quando se fala de paz para humanidade. Por outro lado, muitos cristãos hesitam em comemorar o Natal, usando justificativas religiosas, tais como, o desconhecimento da data precisa em que Jesus nasceu, os acréscimos de símbolos a celebração como presépio, árvore enfeitada e Papai Noel. Na verdade, precisamos resgatar o verdadeiro sentido do Natal, a celebração do nascimento de Jesus, o Filho de Deus.
Celebrarmos essa festa é algo absolutamente legítimo, pois a Palavra de Deus nos revela que houve festa nos céus, e comemoração entre os anjos e entre os homens. E a boa-nova foi anunciada pelo anjo do Senhor, aos pastores de Belém: “Não temais; eis aqui vos trago boa-nova de grande alegria, que o será para todo o povo: é que hoje vos nasceu, na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor” (Lc 2.10,11). Para isso devemos atentar para 02 importantes verdades:
1) Natal não é festa gastronômica - Não podemos resumir o Natal a um banquete onde reunimos a família para desfrutar de um cardápio diferenciado recheado de iguarias. Natal não é troca de presentes nem ruas enfeitadas com adornos típicos da data. É a luz do céu brilhando para um povo que habitava em trevas. É o Verbo de Deus, se fazendo carne para habitar entre nós, cheio de graça e de verdade. É o Criador de todas as coisas abrindo mão de Sua glória para fazer-se criatura.
2) Natal é a maior demonstração do amor de Deus aos homens - É a consumação da maior dádiva de Deus ao homem. Deus amou o mundo e deu seu Filho Unigênito para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Entregou-o a quem não merecia, a nós pecadores indignos. Entregou-o para ser humilhado e envergonhado diante dos homens, para sofrer como servo, para morrer na cruz a nossa morte. É maravilhoso pensar que o Pai não entregou o Cordeiro na última hora, mas antes da fundação do mundo!
Natal significa que aquele que é Eterno, atemporal, adentrou o tempo se fazendo homem e o que é Senhor se fez Servo. Natal é o cumprimento do plano da redenção, a concretização da promessa do Pai e o cumprimento das profecias anunciadas pelos profetas. Natal é a consumação da esperança de Israel. Na plenitude dos tempos, o Cristo de Deus, nasceu da virgem Maria para nos redimir dos nossos pecados.

Que o Natal seja celebrado por todos nós no seu verdadeiro sentido, com muita alegria e festa, mas também com muita adoração a Jesus!

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

A ENTREGA DO FIGO TEMPORÃO

"E, no dia seguinte, quando saíram de Betânia, teve fome. E, vendo de longe uma figueira que tinha folhas, foi ver se nela acharia alguma coisa; e, chegando a ela, não achou senão folhas, porque não era tempo de figos. E Jesus, falando, disse à figueira: Nunca mais coma alguém fruto de ti. E os seus discípulos ouviram isto." - Marcos 11:12-14

Jesus estava indo, juntamente com os seus discípulos, de Betânia para Jerusalém, e durante o caminho teve fome. Ele era homem e tinha todas as necessidades fisiológicas de um ser humano comum. É isso que nos garante vitória sobre o mundo, sobre as tentações e sobre quaisquer circunstâncias, pois se Ele venceu como homem, estamos habilitados a também vencer.
Ao ser assunto aos céus Cristo foi glorificado e não tem mais necessidade alguma, mas o seu Corpo na terra, continua com fome. Fome de quê? Fome de vidas salvas e curadas, fome de restauração e libertação para os cativos, essa é a fome que Cristo tem na terra, que o reino dos céus seja estabelecido.
Quem é o Corpo de Cristo na terra? A Igreja!!!
Jesus disse que faríamos obras maiores do que as que Ele fez (Jo 14:12). Nós somos as mãos e os pés do Senhor na terra. Deus poderia fazer tudo num piscar de olhos, mas Ele escolheu que fosse assim, e usa a Sua Igreja para manifestar o Seu poder e realizar a Sua vontade. Ele nos elegeu mordomos de Sua criação e de Sua obra.
Interessante observar que aquela figueira,  tinha muitas folhas, mas não tinha frutos. Isso é um símbolo da hipocrisia, marca daqueles que só tem aparência e não essência. Deus nos chamou para sermos árvores frutíferas (“...vos designei para que vades e deis fruto...” – Jo 15:16). Que tipo de árvore escolheremos ser? Árvores frutíferas que saciam a fome de Jesus, ou uma árvore cheia de folhas, que na hora da necessidade do Corpo se esquiva e se esconde atrás de desculpas e justificativas?
Alguém poderia dizer: Que injustiça! Não era tempo de figos! Por que Jesus amaldiçoou a figueira? Simples. Devemos dar frutos a tempo e a fora de tempo. Muitos justificam o fato de não alimentarem o Corpo porque não é tempo de figos, é tempo de crise, de dificuldades financeiras. Mas a Palavra de Deus é muito clara: “Quem é fiel no pouco também é fiel no muito; e quem é injusto no pouco também é injusto no muito.” – Lc 16:10.
Quando há escassez de um produto ele é muito mais valorizado. Entreguemos um valioso e gostoso figo temporão para saciar a fome do Corpo de Cristo. Sejamos mordomos fiéis do que Ele colocou em nossas mãos, pois a responsabilidade de suprir a obra do Senhor na terra é nossa.

Pr. Rubens Alves Filho

Diretor Interino de Educação Cristã

domingo, 22 de novembro de 2015

VINHO NOVO X VINHO VELHO

Há uma diferença entre vinho velho e vinho antigo. Enquanto o vinho antigo é aquele que ficou maturando nos tonéis ou nos odres para que atinja o amadurecimento desejado, o vinho velho é aquele que perdeu as características de bom vinho e que por causa da acidez não pode mais ser degustado, nem apreciado; perdeu sua validade e está mais próximo de ser considerado um vinagre. Na verdade, o vinho velho não foi preservado, pelo contrário ficou exposto ao ambiente, sendo deteriorado em suas características.
Muitas pessoas estão vivendo sob a condição de vinho velho, sendo assim, desprezadas por serem consideradas incapazes de oferecer algo satisfatório. É como tivessem perdido sua validade, e como vinho velho, ao invés de agradáveis, tornam-se desagradáveis. Saulo era assim: perseguidor, sanguinário, respirava ameaças por onde andava, mas foi transformado pelo Senhor em Paulo, o apóstolo.
O que leva uma pessoa a ser como vinho velho?
1) Tradição – Não renova
A tradição é algo que se perpetua por gerações e impossibilita a renovação. Valores que se aprende e são absorvidos durante a vida, que fazem com que o novo assuma um caráter de errado e até absurdo. A tradição está impregnada no homem e o impede de se abrir para novidades que certamente mudarão sua vida.
2) Religiosidade – Traz dogmas
Outro fator que contribui para deterioração do homem e o leva à condição de vinho velho é a religiosidade, que o faz considerar errado tudo aquilo que contraria seu ponto de vista. O religioso age em meio ao autoritarismo. Os religiosos se levantaram contra Estevão, acusando-o de coisas que não aconteceram, simplesmente seu discurso contrariava aquilo que eles acreditavam ser o certo.
3) Legalismo – Tira a dinâmica do novo
Os homens que apedrejaram Estevam estavam agindo sob o pretexto de defenderem os costumes que Moisés lhes havia ensinado, e para isso, não se importavam em usar a violência ou até em  matar. O legalista age para defender literalmente aquilo que acredita, ainda que ele próprio, não o viva; e se for preciso passa por cima de todas coisas.
Não permitamos que essas condutas nos roubem de viver a alegria do vinho novo que o Senhor tem para nós através do Seu Espírito.

Pr. Rubens Alves Filho

Diretor Interino de Educação Cristã

domingo, 15 de novembro de 2015

VIVER EM SANTIDADE

"Segui a paz com todos, e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor." Hebreus 12:14

Fomos criados a imagem e semelhança de Deus, portanto temos impressas em nós todas as características do nosso Pai. Diante disso fica fácil entendermos porque somos advertidos pelo Senhor a sermos santos, já que em toda a Palavra vemos expressa a verdade de que Deus é Santo (Is 6:1).
Obviamente esta condição original foi roubada do homem quando de sua queda, mas é restituída quando nascemos de novo e recebemos a presença do Espírito Santo.
Muitas vezes o conceito de santidade acaba sendo distorcido por modelos religiosos e legalistas, como se ser santo dependesse simplesmente da aparência exterior. Ser santo significa “separar-se para Deus”, ou seja, através de nossas atitudes, pensamentos e palavras agradarmos ao Senhor, tendo uma vida que O louve e O glorifique. Ser santo é ser diferente, não no sentido religioso como já foi citado, mas ser diferente daquilo que o diabo quer que nós sejamos, e o único que pode colocar em nós esse diferencial é o Espírito Santo de Deus. 
Muitos associam a santidade ao isolamento, como se fosse necessário nos isolarmos no Tibete para sermos santos. Jesus mesmo disse: “Não peço que os tire do mundo; e, sim, que os guardes do mal.” (Jo 17:15). A verdadeira santidade se vive em meio a malignidade deste mundo, seja na escola, no trabalho, na família, onde quer que estejamos, pois o que faz a diferença é o nosso posicionamento. Podemos estar até envolvidos com as situações, mas nunca dominados por elas.
As consequências da falta de santidade são desastrosas, pois quando não nos posicionamos, abrimos espaços para a atuação do inimigo, que vem para roubar, matar e destruir. Muitos têm seus frutos ministeriais, profissionais, e familiares roubados, e assim vivem a incerteza de um amanhã vitorioso.
A Palavra de Deus diz que o pecado tem um processo: “...cada um é tentado pela sua própria cobiça, quando esta o atrai e o seduz. Então a cobiça, depois de haver concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, uma vez consumado, gera a morte” – Tg 1: 14, 15.
Quando nos permitimos à falta de santidade, ainda que não percebamos, começamos a entrar em cadeias, as quais levam o indivíduo à morte espiritual, e consequentemente ao afastamento da vontade perfeita de Deus.

Pr. Rubens Alves Filho

Diretor Interino de Educação Cristã

domingo, 8 de novembro de 2015

LIVRAMENTO EM MEIO A CRISE

"Moisés, porém, disse ao povo: Não temais; estai quietos, e vede o livramento do Senhor, que hoje vos fará; porque aos egípcios, que hoje vistes, nunca mais os tornareis a ver." - Ex 14:13

Vivemos um tempo onde é muito comum ouvirmos falar em crise. Crise financeira, econômica, familiar, política, existencial, no esporte, e quantas outras puderem inventar. Vemos todos os dias nos jornais e na TV notícias que nos trazem uma triste realidade: o mundo está em crise. Mas o Senhor nos garante o livramento em meio à crise.
A crise se estabelece especialmente quando todas as possibilidades e alternativas se esgotam, e não compreendemos que a partir deste momento, onde humanamente não temos mais nada a fazer, o poder de Deus começa a agir. Abrimos espaço então para uma série de sentimentos que vêm para nos roubar, tais como a ansiedade, a angústia, a revolta e o desespero.
Os maiores exemplos de crise que encontramos na palavra vêm das situações vividas pelo povo de Israel após a saída do Egito. No momento crucial em que o povo estava sendo perseguido pelo exército egípcio, vendo-se sem alternativas, Moisés lhes trouxe uma palavra que os orientava a não temer e descansar em Deus.
O medo é o maior inimigo da fé. Já que fé é a certeza de que as coisas que esperamos irão acontecer, podemos dizer que o medo é a certeza de que não haverá saída ou solução. É muito desagradável quando alguém duvida de nossa palavra, pois de certa forma, somos chamados de mentirosos. Por isso, muitas vezes, temos ofendido ao Senhor duvidando de Sua Palavra. Sem fé é impossível agradar a Deus, pois só podemos agradá-lo crendo na Sua fidelidade.
A obra que Ele começou em nossas vidas não vai parar, o Senhor não guiou o povo até aquele lugar para que fossem destruídos pelos egípcios, mas os levou ali para que a glória Dele se manifestasse e eles vivessem um grande milagre.
No meio da crise nossos sentimentos estão sujeitos a uma grande inquietação, seja pela ansiedade, pela preocupação, pelo medo ou outras deformações que querem roubar nossa paz. No Sl. 46:10 o Senhor nos dá um imperativo - “Aquietai-vos e sabei que eu sou Deus”. Aquiete-se, porque se Ele é verdadeiramente Deus, não existem mais impossíveis, as impossibilidades caíram por terra, e a crise vai se dissipar em nome de Jesus.

Diante disso não podemos mais viver a expectativa do fracasso e da derrota. Muitas pessoas vivem como que “andando em ovos”, antevendo aquilo que o inimigo intenta fazer contra suas vidas. Devemos viver numa perspectiva nova, não daquilo que o diabo quer roubar, matar ou destruir, mas daquilo que o Senhor tem como livramentos, milagres e portas para nós. Devemos andar olhando pela fé para o livramento que hoje mesmo Ele fará. 

RESTAURAÇÃO

domingo, 1 de novembro de 2015

ABRIR OS OLHOS PARA A TERRA PROMETIDA

"Porém o meu servo Calebe, porquanto nele houve outro espírito, e perseverou em seguir-me, eu o levarei à terra em que entrou, e a sua descendência a possuirá em herança." - Nm 14:24

Há uma verdade espiritual latente nos textos que falam sobre a conquista da terra prometida: temos que enfrentar e expulsar os gigantes para começar a desfrutá-la. No capítulo 13 de Números nos deparamos com a fé que abre olhos, encoraja e olha para as promessas e, por outro lado, com a deliberação de corações dispostos a parar e voltar atrás, pois estavam baseados nas próprias expectativas, influenciados pela incredulidade.
Os espias não puderam negar que a terra era muito frutífera, e aquele cacho de uvas era a demonstração factual disto. Deus havia prometido uma terra que manaria leite e mel. Existia uma promessa que alimentava a esperança. Dez deles não olharam a promessa, mas enxergaram apenas as impossibilidades. Isto trouxe como consequência ao povo desânimo, medo, murmuração, que logo em seguida gerou o desejo de voltar ao Egito e desistir da promessa ( Nm 14:4).
Dois deles porém, Calebe e Josué, foram os únicos que não tinham dúvidas de que o Senhor de Israel os faria prevalecer sobre todos os obstáculos. Desde Abraão Deus havia garantido que colocaria a semente dele em possessão daquela terra (Gn 15.18;17.8); e custe o que custar a palavra de Deus é a garantia de abrir caminho onde não há caminho, de realizar milagres onde não há a mínima chance de acontecer. Movidos por tal fé não abriram mão da promessa.
Os dez homens descreveram os habitantes daquela terra como gigantes (descendentes de Anaque). Os cananitas eram maiores e mais fortes do que o povo de Israel, mas eles seriam mais fortes do que Deus? Eles não poderiam lutar com eles, mas Deus não poderia? E a certeza de que Deus estaria em frente à batalha aonde estava? Sentiam-se como gafanhotos diante dos gigantes, mas e eles não seriam menos do que gafanhotos perante Deus? Os egípcios não eram tão fortes e poderosos tanto quanto os cananitas, eram? E ainda sem uma espada puxada por Israel foram derrotadas as carruagens e os cavaleiros do Egito? Milagres eram neste momento o pão diário deles. Um exército tão bem provido por experimentar este alimento a um custo zero teria a vantagem de saber que o El Shadai (Deus Todo-Poderoso) pode realmente “todas as coisas”!
A falta de crer que o Senhor agiria novamente foi como um fermento a espalhar-se por toda aquela massa humana, cegando-os quanto ao sucesso e a conquista.

É tempo de crermos que aquele que prometeu é poderoso para realizar. De enxergarmos como Josué e Calebe as possibilidades de Deus que nos encorajam e abre nossos olhos para a realização.

domingo, 25 de outubro de 2015

O VERDADEIRO ARREPENDIMENTO

"Esconde o rosto dos meus pecados e apaga todas as minhas iniquidades.
Cria em mim um coração puro, ó Deus, e renova dentro de mim um espírito estável.
Não me expulses da tua presença, nem tires de mim o teu Santo Espírito.
Devolve-me a alegria da tua salvação e sustenta-me com um espírito pronto a obedecer." - Salmos 51:9-12 NVI


Uma das verdades incontestáveis presente na Bíblia é que o salário do pecado é a morte. Todo o contexto espiritual nos revela que o homem colhe o fruto de suas ações, e a consequência do pecado é o afastamento de Deus e de Seu plano perfeito. É a lei da semeadura: o que o homem semear isso também ceifará.
A vida de Davi foi marcada por essa verdade. Apesar de ser reconhecido como o maior rei de Israel, sofreu graves consequências em sua vida pessoal e familiar por causa do pecado. Assim como também a própria cidade de Jerusalém, que pelos seus pecados sofreu com a destruição e a miséria.
Um dos fatos mais marcantes na vida de Davi é ele ter sido chamado por Deus de homem segundo o Seu coração, apesar de todos os pecados que cometeu. Analisando friamente, é incrível que um homem que cometeu um adultério seguido de um assassinato premeditado possa ter tamanha intimidade e comunhão com o Senhor, a ponto de ser reconhecido de maneira tão maravilhosa. Qual era o segredo de Davi? Ele entendeu profundamente o que era arrepender-se e o que era viver uma verdadeira conversão.
Arrependimento é o caminho de volta a vontade de Deus, é especialmente humildade para reconhecer seu pecado e se reposicionar. É algo que acontece não só em nível intelectual, mas profundamente no espírito. Já o remorso é apenas o medo das consequências do pecado, é na verdade um sentimento egoísta, porque está preocupado apenas consigo mesmo, e não com o Senhor.
O primeiro e decisivo passo para o arrependimento é reconhecermos o nosso pecado. A palavra nos mostra que o Espírito Santo é quem convence o homem, por isso quanto mais comunhão com Ele tivermos, mais fácil será termos um verdadeiro arrependimento. O culto que o Senhor deseja de nós é racional, onde temos consciência de quem é Deus e da necessidade que temos dEle.
A religiosidade, como tentativa de aproximação de Deus através de esforços humanos, ensinou as pessoas a associarem arrependimento com punição ou penitência. Quando olhamos para a época medieval, por exemplo, vemos a origem das indulgências e penitências, como açoites e automutilações.

Desse modo muitos deixam de viver um arrependimento verdadeiro, pois pensam que os seus sacrifícios irão agradar ao Senhor. Mas o que verdadeiramente agrada o coração de Deus é a mudança de atitude, a conversão, enfim, fechar definitivamente qualquer caminho para o pecado, andando em santidade.

domingo, 18 de outubro de 2015

LUTAS PARA VITÓRIA!

"Depois de tudo o que Ezequias fez com tanta fidelidade, Senaqueribe, rei da Assíria, invadiu Judá. Ele sitiou as cidades fortificadas para conquistá-las." - II Cr 32: 1 NVI

Quais foram as ações que mostraram a fidelidade do rei Ezequias, rei de Judá, ao Senhor?
- Reformou espiritualmente toda a terra, após haver herdado o reino de seu pai, completamente destruído por causa da idolatria e das falsas alianças;
- Reabriu as portas do templo, voltou a oficiar o culto em Jerusalém, deitou fora os ídolos, e tornou a trazer os objetos sagrados que seu pai havia retirado do templo, e os colocou novamente no altar do Senhor.
Mesmo depois de todas essas boas ações, levantou-se contra Ele, o pior inimigo da época: o sanguinário Senaqueribe, rei da Assíria.
Nossa cultura é baseada na meritocracia, por isso, sempre que fazemos aquilo que é certo, ficamos, mesmo que inconscientemente, esperando a recompensa, o reconhecimento e a honra da vitória.
Isso não é errado, porém muitos servos de Deus não conseguem entender, e chegam mesmo a ficar entristecidos com Ele quando passam por lutas após entregarem suas vidas e seus valores em Suas mãos. Muitos alegam: “antes eu fazia tudo errado, e parece que não havia lutas; agora sou servo de Deus e estou vivendo isso!”. Mas como compreender essas situações?
O objetivo final de qualquer luta que passemos na presença do Senhor, é edificar a nossa fé, e nos dar soberania sobre as situações que nos dominavam. O rei Ezequias, que após ter feito a vontade de Deus estava com o inimigo às portas, deveria aprender que  a despeito do que ele pensasse ou sentisse, do Senhor viria o livramento. Ele tem um caminho que nos levará à vitória, e só há um meio de passar por ele – pela fé.
Ezequias não podia apoiar-se na própria justiça pelo que praticara, mas Deus o estava ensinando à crer em Seu poder. O diabo quer que confiemos em nossa própria justiça, pois quando essa falhar, ficaremos descobertos e perderemos a confiança; porém Deus quer nos ensinar que Ele nos livra – não porque sejamos bonzinhos ou perfeitos, mas porque temos uma aliança com Ele. O nosso livramento está na graça do Senhor através de Jesus Cristo.
Senaqueribe declarou palavras racionais, verdadeiras e convincentes:
"Eu sou o maior general da terra" - verdade;
"Nenhum reino resistiu ao meu poderio militar" - verdade;
"Vocês, um dia confiaram no Egito, e hoje o Egito está quebrado" - verdade;
"Judá será apenas mais uma conquista – mentira do diabo! Judá era diferente. Nós somos diferentes, pois o Senhor é conosco!
Não podemos nos deixar dominar pela lógica humana, a qual nos leva à destruição – o diabo tem apenas a palavra lógica, o nosso Deus tem a Palavra de poder que derruba todo raciocínio contrário aos Seus filhos! É Ele quem dá a última palavra em nossas vidas!
Não há absolutamente nada que passemos, estando na vontade de Deus, que não faça parte de um propósito dEle para nos abençoar. Às vezes somos peneirados, esmagados, lançados em covas de leões, postos em um barco no meio da tempestade – tudo isso para entendermos que não há situações em nossas vidas que possam fugir ao controle do nosso Deus! Aleluia!

domingo, 11 de outubro de 2015

SAINDO DO COMODISMO

"Então lhes declarei como a mão do meu Deus me fora favorável, como também as palavras do rei, que ele me tinha dito; então disseram: Levantemo-nos, e edifiquemos. E esforçaram as suas mãos para o bem." - Neemias 2:18

Comodismo, segundo o dicionário, é a atitude de quem não quer ser importunado, ou seja, é a atitude de quem não quer lutar, não quer movimentar-se, não age proativamente, mas prefere continuar na condição em que está, conformando-se com o status quo.
O texto de Gn 1:2 nos revela que o Espírito de Deus é dinâmico, ou seja, está em constante movimento. O processo da criação mostra um Deus que tanto traz a existência o que não existe, como transforma e aperfeiçoa aquilo que já existe. Se somos criados a Sua imagem e semelhança, concluímos que a acomodação é uma deformação de nosso caráter, que rouba nosso planos de crescimento e avanço para o futuro. Todos os grandes homens de Deus viveram conquistas e livramentos porque tiveram atitudes de fé, e não se conformaram com as circunstâncias que os cercavam.
Um dos grandes prejuízos que o comodismo nos traz é a esterilidade, pois somos roubados da nossa capacidade realizadora e já não conseguimos sair à luta para viver as realizações que o Senhor tem para nós. Além disso, muitas vezes ficamos numa condição de passividade, observando as circunstâncias contrárias sem forças para reagir.
Quando nos deixamos envolver pelo comodismo, alguns sentimentos e posicionamentos começam a se manifestar:

- Assumimos uma postura religiosa, jogando toda responsabilidade para Deus, nos eximindo de ações efetivas;
- Criticamos a pró-atividade daqueles que se levantam para agir;
- Passamos a ter uma visão distorcida, superestimando o inimigo, e nos depreciando através da baixa-estima.


Um grande exemplo de perseverança e realização é a história de Neemias e a reconstrução dos muros de Jerusalém. Ele tinha uma tarefa grandiosa a realizar, recursos escassos, uma forte oposição, mas em 52 dias terminou uma obra que permanece até hoje. Suas atitudes e posicionamentos são um exemplo para que deixemos o comodismo, e nos levantemos para executar o que o Senhor nos tem ordenado.

domingo, 4 de outubro de 2015

VOLTEMOS PARA JERUSALÉM!

"Mas os olhos deles estavam como que fechados, para que o não conhecessem." - Lucas 24:16

O que aconteceu com aqueles discípulos é o mesmo que muitas vezes acontece conosco – o fato de não enxergarmos espiritualmente as situações, faz com que tomemos caminhos humanos para longe da vontade de Deus.
Diariamente, ainda que não percebamos, fazemos opções o tempo todo, em cada situação – olhamos de modo natural, sentimos como o homem natural, e neste caso caminhamos cada vez mais para longe do plano de Deus. Por outro lado, podemos optar por andarmos de forma sobrenatural, enxergando espiritualmente o impossível, e isso envolve fé.
Se aqueles discípulos estivessem andando pela fé, jamais teriam se afastado de Jerusalém até que a promessa de cumprisse, pois Jesus havia dito “Importa que o Filho do homem seja entregue nas mãos de pecadores e seja crucificado e ressuscite ao terceiro dia” – Lc 24: 7. Além da promessa da ressurreição, havia também a maior promessa de todas para a Igreja: o derramar da presença e do poder do Espírito Santo de Deus sobre  os discípulos de Jesus – “o Espírito da verdade, que o mundo não pode receber, porque não no vê, nem o conhece; vós o conheceis, porque ele habita convosco e estará em vós” – Jo 14: 17. Este era o caminho da fé – ficar em Jerusalém para viver a promessa; eles porém optaram por ir a Emaús, um lugar distante da promessa.
Vejamos o que esse caminho representa em nossas escolhas:
- Se o milagre aconteceria em Jerusalém, por que então eles voltavam as suas atividades corriqueiras em Emaús? Se a Palavra de Deus não volta vazia, então por que voltar atrás? Por que sair daquilo que sabemos ser o centro da vontade de Deus? Por que duvidar?
- Se havia promessas tão grandiosas para Jerusalém, como se conformar em voltar as suas vidas comuns?
- Se há promessas maravilhosas de Deus para as nossas vidas, como podemos nos conformar em não vivê-las integralmente? Como nos conformarmos com uma vida comum e não viver o sobrenatural?
Notemos que esse era o caminho deles, não o de Deus. Jesus estava presente, mas o caminho de incredulidade que eles haviam tomado, os tornou cegos para enxergar.

Que o Senhor abra os nossos olhos espirituais, e que a despeito das angústias estarem presentes pelas circunstâncias, creiamos que Jesus também estará presente – “Ele está conosco todos os dias até a consumação dos séculos”. É tempo de fazermos o caminho inverso e voltarmos a Jerusalém: o centro da vontade de Deus.

domingo, 27 de setembro de 2015

PERDÃO: CHAVE PARA RELACIONAMENTOS SAUDÁVEIS

Assim como o perdão de Deus para o homem é peça fundamental no plano da redenção, a disciplina do perdão ao próximo deve estar no centro de nosso viver cristão.
A verdade é que não temos problemas com o conceito; é fácil falar sobre o perdão. Praticar é que é difícil, já que nossos referenciais e padrões de justiça são muito diferentes dos de Deus. É comum guardarmos ressentimentos justificáveis, ou seja, segundo nossa ótica humana falha, estamos “cobertos de razão” em não perdoar, pois o que fizeram conosco é “imperdoável”.
Em outras ocasiões ficamos procurando sinais verdadeiros de arrependimento nas pessoas para que então possamos “do alto da nossa magnificência”, liberar o perdão para elas. Freqüentemente relembramos aos outros a necessidade de arrependimento antes que lhes perdoemos. Desse modo agimos de modo farisaico, pois somos rápidos em achar faltas, mas tardios em reconhecer que também somos falhos, também precisamos ser perdoados, e só somos o que somos porque um dia Deus nos perdoou através do sacrifício de Jesus Cristo.
Perdoar significa conceder a remissão de qualquer ofensa ou dívida, gerada por falta ou transgressão e desistir de qualquer reivindicação, ou seja, liberar o ofensor de qualquer obrigação proveniente de sua falta.
A concessão do perdão deve ser dada livremente, não extraindo ou esperando nenhum pagamento por ele. Uma atitude muito comum é condicionar o perdão a um determinado posicionamento ou retribuição, ou seja, a famosa “chantagem emocional”. Devemos desistir de qualquer reivindicação e liberar de vez nosso ofensor a fim de que ambos estejamos livres. Deus nos concede perdão livremente, pois Jesus pagou o preço na cruz do Calvário. Assim também nós devemos perdoar segundo o padrão que Ele estabeleceu.
Em todo o ensinamento de Jesus vemos presentes as lições sobre o perdão, que estabelecem um princípio espiritual muito importante que deve reger nossas vidas: na medida em que perdoamos, somos perdoados (Mt. 6:14 e 15).

Devemos nos abrir para sermos completamente curados e libertos de todos os ressentimentos e de todas as barreiras que a falta de perdão têm gerado em nossos relacionamentos. É mister que nos apropriemos desse fruto poderoso do Espírito Santo que nos faz perdoados e perdoadores.

domingo, 20 de setembro de 2015

MATURIDADE ESPIRITUAL

"Não só isso, mas também nos gloriamos nas tribulações, porque sabemos que a tribulação produz perseverança; a perseverança, um caráter aprovado; e o caráter aprovado, esperança. E a esperança não nos decepciona, porque Deus derramou seu amor em nossos corações, por meio do Espírito Santo que ele nos concedeu."
(Romanos 5:3-5)

Uma das principais maneiras de Deus tratar com o homem é através de processos. Isso é uma verdade da qual não podemos fugir. Nossa caminhada em direção a vontade perfeita do Senhor passa por etapas, onde os nossos posicionamentos nos garantirão o viver das promessas.
O texto nos mostra exatamente um processo. Enfrentamos as tribulações com perseverança, para vivermos experiências com Deus que nos enchem de esperança. Por quê? Porque o amor de Deus é derramado em nossos corações pelo Espírito Santo.
Quando somos cheios do amor de Deus recebemos uma esperança que não é confusa, ou seja, não há mais espaço para dúvidas, questionamentos ou incredulidade. Não é o sentimento daquele que está torcendo para dar certo, mas daquele que caminha com uma certeza em seu coração. Quando temos a consciência e a convicção do amor de Deus por nós, recebemos o culminar desse processo, que é andarmos em maturidade espiritual.
Essa maturidade muitas vezes é confundida com a quantidade de conhecimento teológico, ou com o tempo que a pessoa está na igreja. Muitos são profundos conhecedores da Bíblia, mas ao primeiro sinal de tempestade se desesperam, ou têm trinta anos na igreja e ainda agem como crianças imaturas diante das dificuldades.
O que o Senhor quer nos dar é um espírito inabalável, que nos habilita a enfrentarmos os desafios cheios de autoridade, pois quando somos supridos pelo amor vivemos a palavra de I Jo 4:18: “No amor não existe medo; antes o perfeito amor lança fora o medo. Ora, o medo produz tormento; logo, aquele que teme não é apefeiçoado no amor”.

Quando o Espírito Santo derrama em nossos corações o amor de Deus, passamos a caminhar firmados em convicções. Aqueles que verdadeiramente conhecem o amor de Deus podem viver a experiência de viver em paz em toda e qualquer circunstância e estão habilitados a esperar, pois a restituição, a restauração e a ressurreição certamente virão.